Após três dias de programação intensa e casa cheia, a edição deste ano do Metrópoles Fashion & Design (MFD) chegou ao fim nesta sexta-feira (12/6) com uma agenda que reuniu oficinas, rodas de conversa, shows e a transmissão de jogos da Copa do Mundo de 2026.
Idealizado pela colunista do Metrópoles Ilca Maria Estevão, com apoio da Secretaria de Turismo do Distrito Federal, o festival ocupou o Museu Nacional com uma mistura de moda, arte, música e cultura. Durante os três dias de programação, artistas, empreendedores, brechós, músicos, marcas autorais e visitantes movimentaram o espaço, reforçando o evento como uma vitrine da produção criativa de Brasília.
Nesta sexta-feira (12/6), oficinas de carimbo artesanal, grafite, bordado e macramê convidaram o público a experimentar diferentes formas de expressão. As artistas Bruna Nunes, Fernanda Oliveira e Maria Clara de Melo Carvalho resgataram elementos das festividades juninas para ensinar a criação de carimbos personalizados aplicados em tecidos, roupas e acessórios.

Oficinas marcaram a programação do Metrópoles Fashion Design
Nina Quintana/Metrópoles

Nesta sexta, público pôde participar de oficinas de carimbo artesanal, grafite, bordado e macramê
Nina Quintana/Metrópoles

Bruna Nunes, Fernanda Oliveira e Maria Clara de Melo Carvalho ensinam a criar carimbos inspirados nas festas juninas
Nina Quintana/Metrópoles

Técnica permite a criação de desenhos únicos
Nina Quintana/Metrópoles
Segundo Nunes, a carimbagem artesanal se destaca pelo caráter acessível, já que pode ser feita com materiais simples, como folhas de EVA e tintas para tecido. A técnica permite a criação de desenhos únicos, capazes de refletir a identidade de cada participante e transformar peças do guarda-roupa em produções exclusivas.
“O contato com pessoas diversas e a troca de experiências são o mais interessante. É muito legal ver como cada um expressa suas referências de um jeito único”, afirmou.
Bruna Nunes
Moda em debate
As rodas de conversa começaram durante a tarde e seguiram pela noite. Especialistas debateram temas como criação em tempos de emergência climática, novos modelos de produção e consumo, economia criativa e os próximos caminhos do setor no Brasil e na capital.
Os painéis reuniram nomes como Marina Holanda, Marina Moreira, Carol Rosignoli, Eduardo Amorim, Luisa Leeway, Duduvision, Fara, Luiz Henrique, Clarissa Motter, Romildo Nascimento, Thais Fread e Sérgio Calado.

Além de expor peças da marca autoral Duduvision, o criador Eduardo Brito foi um dos participantes do círculo de diálogo “Novas marcas autorais de Brasília e seus sonhos para o futuro do mercado da moda”. Entre araras, cabideiros e peças exclusivas, o público foi convidado a debater os caminhos e a força das marcas autorais do Distrito Federal.
Brito coloca como principal objetivo — para a própria label e para as assinaturas dos colegas da moda — ampliar a visibilidade das criações produzidas em Brasília. Ele enxerga no MFD uma oportunidade para o intercâmbio entre criadores e público.
“A circulação de pessoas de todos os tipos, vindas de diferentes lugares do mundo e de diversos contextos culturais, é algo que impacta muito a própria visibilidade da cidade”, reflete. “É muito bonito ver essa circulação e esse fomento, tanto financeiro quanto cultural, para a cidade.”
Eduardo Brito

Durante os três dias, cinco exposições de artistas do Distrito Federal também integraram a programação. A dupla de designers Mackenzo e Felipe Manzoli participou pelo segundo ano consecutivo do evento.
A marca, criada há quatro anos, apresenta peças que exalam dramaticidade por meio de curvas e movimento. O contraste com a arquitetura geométrica planejada na década de 1950 não impediu que os dois se inspirassem na capital para a concepção da etiqueta.
“Brasília inspira o nosso trabalho pela tridimensionalidade. A gente busca trazer essa tridimensionalidade para o corpo da mulher e tratá-la como um monumento”, explica Mackenzo. “A gente trabalha com uma mulher bem monumental.”
Para além do processo criativo, Manzoli reconhece que a exposição é um ponto fundamental para a sobrevivência de marcas autorais. “Eu acho que a nossa capital deveria ser mais explorada, e esse evento contribui para isso ao reunir tantas marcas e personalidades diferentes”, opina.
A nigeriana Adeseeke Adesew, de 19 anos, vive no Brasil há um ano e levou o pequeno Jidenna, de 7, para conhecer o Metrópoles Fashion & Design. Encantada com a liberdade e a criatividade dos brasilienses na forma de se expressar por meio da moda, ela acredita que esse contato com a arte e o design deve começar ainda na infância. Para a jovem, experiências como essa ajudam a ampliar o olhar das crianças sobre o mundo.
“Quando você apresenta às crianças a arte, o design, as roupas, as cores e tudo isso, elas passam a conviver em um ambiente repleto de beleza. Assim, acabam se acostumando com experiências desse tipo desde cedo. E acredito que isso realmente ajuda a desenvolver a forma como elas apreciam a arte de maneira geral”, refletiu.

Música, amor e futebol
A última noite do Metrópoles Fashion & Design ganhou um significado especial ao coincidir com o Dia dos Namorados e com mais uma rodada de jogos da Copa do Mundo de 2026.
No clima da data, o grafiteiro Mikael Omik, conhecido pelos painéis espalhados por Brasília, ofereceu personalização gratuita de roupas e acessórios, criando intervenções inspiradas no amor e nas relações afetivas.
Na área externa do Museu Nacional, o público acompanhou a partida entre Canadá e Bósnia e Herzegovina, às 16h, e ainda se preparava para assistir ao duelo entre Estados Unidos e Paraguai, marcado para as 22h.
A programação musical completou a atmosfera da noite. DJs e coletivos ocuparam diferentes espaços dentro e fora do Museu. No palco externo, passaram artistas como Voni, Chico Aquino, Leriss B2B Giograng, Tonny Rocks B2B Tisca e a companhia de dança Mutum.

Chico Aquino
Augusto Costa/Metrópoles


O DJ Chico Aquino, presença frequente nas noites brasilienses, buscou inspiração na diversidade do público e na simbologia da Copa do Mundo e do Dia dos Namorados para criar uma curadoria musical que, assim como o Metrópoles Fashion & Design, acolhesse todos os visitantes.
“É inspirador poder trazer um olhar mais aberto para a curadoria musical. Pessoas muito diferentes frequentando o espaço, uma diversidade muito grande. Então, isso também traz inspiração para criar um set e um clima que abracem essa diferença de estilos”, diz.
Chico Aquino