O Analista político Onofre Ribeiro ouvido em entrevista avaliou que o Brasil se encontra no início de uma transição política inédita desde a redemocratização. Para ele, o ciclo que dominou a vida nacional nas últimas duas décadas, marcado por figuras como Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, está se encerrando.
“É um novo ciclo que se abre, e não é o ciclo Lula nem o ciclo Bolsonaro”, afirmou. Segundo ele, os sinais que vêm das ruas e das redes sociais mostram que a população busca novas referências, diferentes dos modelos já conhecidos. O eleitorado estaria mais ativo, conectado e disposto a questionar partidos tradicionais.
O professor destacou que essa renovação tende a vir de lideranças regionais. “Nós temos aí cerca de nove ou dez governadores de boa qualidade, inclui o de Mato Grosso, e temos o de Minas, São Paulo. É daí que vem alguma coisa nova”, avaliou. A ascensão de gestores estaduais, segundo ele, pode moldar candidaturas presidenciais em 2026 com perfis mais técnicos e menos polarizados.
O analista contextualizou o cenário lembrando que a política brasileira tem sido marcada por ciclos históricos. Em sua visão, o suicídio de Getúlio Vargas em 1954, o golpe militar de 1964, a redemocratização em 1985, a chegada do PT ao poder em 2003 e a vitória de Bolsonaro em 2018 foram marcos que inauguraram fases distintas. “A história do Brasil é feita de rupturas, e estamos diante de mais uma”, disse.
Para ele, o ambiente político atual é de incerteza. O Congresso perdeu protagonismo, a Presidência não lidera o processo e o Supremo Tribunal Federal concentra tensões que dificilmente conseguirá sustentar até 2026. “Nós não chegamos ainda a um perfil de candidatos. Se não temos um perfil de candidatos, não temos também em quem e por que votar. A eleição do ano que vem é um mistério, estamos numa noite escura”, analisou.
Mesmo diante desse quadro, ele ressalta que o eleitorado brasileiro está mais atento e engajado. O uso das redes sociais amplia o debate público e coloca pressão sobre partidos e lideranças. “Em qualquer lugar que se anda, as pessoas estão com o celular na mão e discutindo política. Mas como essas pessoas vão votar, a gente ainda não sabe”, afirmou.
A avaliação final do especialista é que a eleição de 2026 ainda é incerta, mas os sinais indicam um realinhamento profundo. “A política brasileira está entrando num ciclo novo. A população entrou num ciclo novo. Esse processo não repete o caminho atual”, concluiu.