Os policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Waison Alesandro e Wekcerlley Benevides de Oliveira foram novamente afastados das funções de serviço operacional e policiamento ostensivo por decisão do juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá Especializada na Justiça Militar.
O magistrado acatou ordem do Tribunal de Justiça (TJMT) que além desta determinação também impôs que os quatro voltem usar tornozeleira eletrônica e tenham suspensão do porte/posse de arma de fogo, tanto institucional quanto particular, e sejam limitados a atividades administrativas na Polícia Militar.
Foi oficiado ainda que o Comando-Geral da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso e à Corregedoria-Geral da PMMT, adotam providências administrativas necessárias para o cumprimento da determinação judicial, e que o grupo seja fiscalizado para assegurar a aplicação das medidas.
O Primeira Página entrou em contato com a defesa dos militares por meio do advogado Marciano Xavier, que informou que os quatro já estão sob uso de tornozeleira e devolveram o armamento. Além disso, o grupo está em liberdade e em atividades administrativas.
Embora decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tenha determinado as respectivas prisões, o defensor informou que o processo ainda encontra-se em fase de recurso, que deve ser analisado. Por enquanto, permanecem em liberdade monitorada.
Falso confronto e arma usada em morte de advogado
Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Weckcerlley Benevides de Oliveira e Wailson Alessandro Medeiros Ramos foram denunciados pelo Ministério Público (MPMT) por fraude processual, porte ilegal de arma, tentativa de homicídio e homicídio qualificado.
Os quatro são acusados de envolvimento em um confronto forjado para ocultar arma de fogo usada no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, atingido por disparos por um executor em uma moto, na frente de seu escritório, na Avenida Fernando Correa, em 5 de julho de 2024, em Cuiabá.
Ele faleceu um dia depois após ser submetido a cirurgia.

De acordo com o MP, o suposto confronto ocorreu após uma denúncia de roubo de um veículo Gol branco, em que os policiais alegaram perseguição e troca de tiros com três suspeitos, em 12 de julho de 2024, no Contorno Leste, em Cuiabá.
Segundo os militares, a arma, que depois descobriu-se ter sido usada uma semana antes no homicídio de Renato Nery, teria sido apreendida em posse de um dos suspeitos do confronto. Contudo, a investigação revelou que a viatura não foi atingida pelos tiros e que a cena foi manipulada para inserir a pistola.
Na ocorrência um rapaz foi baleado e morto e houve ainda tentativa de homicídio contra outros dois.

A perícia constatou por meio de laudos periciais balísticos que a arma foi a mesma usada no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, e análise de mensagens extraídas de celulares dos réus indicaram tentativa de obstrução da justiça e coordenação de versões entre envolvidos em troca de mensagens.

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