O policial civil Sanderson Ferreira de Castro Souza, de 42 anos, – condenado por agressão contra a ex-esposa Débora Sander – será transferido de Várzea Grande, onde atuava na 1ª delegacia de Polícia Civil, para Pontes e Lacerda (MT). A transferência foi autorizada pelo Conselho Superior de Polícia (CSP) de Mato Grosso, nessa quarta-feira (4).
A remoção ocorre a pedido do próprio investigador. A decisão menciona, ainda, que a mudança será “sem ônus para o estado”, o que significa que o governo não pagará ajuda de custo ou despesas de mudança.
Policial teve pena reduzida
Em fevereiro deste ano, o policial teve um pedido de redução de pena acatado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Sanderson estava preso por lesão corporal, estupro e violência psicológica contra Débora, que atua como personal trainer.
Mas, após a decisão, deixou de responder pela acusação de estupro, tendo a pena de 15 anos de prisão reduzida para 1 ano e 9 meses, conforme explicação da defesa do policial na época.

Nas redes sociais, a personal trainer se manifestou sobre a decisão e expôs, inclusive os nomes dos desembargadores que teriam votado a favor da redução da pena do policial.
“São três desembargadores homens, três homens deferiram a favor dele e ele vai ser solto. Então, não há indícios, não há provas para que mantenha preso. As provas que eles precisam é um corpo dentro de um saco preto. Então, esses três que eu vou marcar aqui, são os três desembargadores que estão soltando o agressor”, afirmou Débora nas redes sociais.
A advogada Karime Dogan, que atua na defesa da personal, disse na época, que as manifestações pessoais de Débora em suas redes sociais teriam sido conduzidas com responsabilidade e cautela, em um “espaço de expressão individual”.
Relembre o caso
Sanderson foi preso no dia 1° de setembro de 2024, durante investigação da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá.
Na época, Débora contou que estava se relacionando com o investigador há dois anos e que o relacionamento tinha violência psicológica. A situação teria piorado e ela começou a ser agredida fisicamente, em agosto de 2024. Além das agressões, o policial teria feito ameaças ao filho da vítima.
Com medo, a vítima disse, ainda, que quando tentou denunciar pela o ex primeira vez, ele teria dito que “polícia ajuda polícia” e que a denúncia dela não o afetaria. Por isso, ela se sentiu coagida pelos outros policiais que tentavam convencê-la a não realizar a denúncia e voltar para casa “para acobertar o acontecimento”.
Débora obteve medida protetiva de urgência contra Sanderson, que está esteve afastado do cargo desde 11 de setembro, dias após a prisão, conforme ato publicado no Diário Oficial.
Em julho de 2025, ele foi condenado a 15 anos de prisão por violência doméstica pela agressão da ex-mulher. Já em fevereiro deste ano, teve a pena reduzida ao deixar de responder por estupro.
O outro lado
Ao Primeira Página, o advogado de Sanderson, Ricardo Monteiro, explicou que o policial faz uso de tornozeleira eletrônica desde a semana em que teve a pena reduzida, após Débora afirmar que não se sentia segura com o agressor livre da prisão.
Diante disso, o policial também teria visto a mudança de cidade como uma segunda solução para manter a distância da vítima.
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