Policial militar é investigado por ligação de 8 minutos com suspeito de feminicídio em Cuiabá após o crime
Policial militar é investigado por ligação de 8 minutos com suspeito de feminicídio em Cuiabá após o crime
Um policial militar passou a ser investigado após manter uma ligação de cerca de oito minutos com Fabiano Oliveira Borges, conhecido como “Pepi”, apontado pela Polícia Civil como principal suspeito de matar Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, com um tiro na nuca, em Cuiabá.
Segundo o delegado Bruno Abreu, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o contato ocorreu minutos depois do militar tomar conhecimento do crime e da identidade do suspeito.
Ana Cristina foi encontrada morta na manhã de sábado (15), dentro de uma casa no bairro Alvorada. O filho dela, de apenas 3 anos, estava no imóvel e teria presenciado o assassinato. Fabiano, que mantinha um relacionamento recente com a jovem, foi apontado como suspeito após testemunhas relatarem que ele esteve no local e deixou a região de motocicleta depois do disparo.
Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, foi encontrada morta com um tiro na nuca em Cuiabá. Foto: Reprodução
Durante as primeiras diligências, ainda no sábado, investigadores foram até uma loja onde Fabiano trabalhava e que também era utilizada por ele como residência. Conforme Bruno Abreu, roupas do suspeito foram encontradas na casa da vítima, enquanto uma mochila com pertences teria sido deixada para trás. Fatos que reforçam a suspeita de que o crime possa ter sido planejado.
No estabelecimento, os investigadores encontraram um computador ligado e com o WhatsApp Web aberto. Foi nesse momento que perceberam uma conversa com um subtenente da Polícia Militar.
Loja de suspeito é encontrada revirada após ação da Polícia Civil. – Foto: Reprodução
Segundo Bruno Abreu, a investigação conseguiu estabelecer que, por volta das 10h40 de sábado, o policial tomou conhecimento tanto da morte de Ana Cristina quanto da identidade de Fabiano como suspeito.
“Imediatamente, ele, ao tomar ciência, entra em contato com o suspeito. O suspeito não atende e retorna para ele depois, dez minutos depois, em torno de 10h50, e fica oito minutos no telefone com ele”, afirmou o delegado.
Delegado detalha ação de subtenente com suspeito de feminicídio. – Vídeo: TVCA
O conteúdo da ligação ainda é desconhecido. No entanto, segundo o delegado, o policial não comunicou naquele momento o contato aos superiores, apesar de equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil estarem mobilizadas nas buscas pelo suspeito.
“Eu não posso falar o que ele falou com ele, mas, no mínimo, ele deveria informar o seu comandante imediato”, disse Bruno.
Conforme o delegado, mensagens anteriores da conversa visualizada no computador estavam apagadas. Os policiais também identificaram um áudio no aplicativo, mas não acessaram o conteúdo naquele momento.
Bruno ressaltou que a suspeita é direcionada especificamente à conduta do subtenente e não à atuação da corporação. “É uma coisa pontual desse policial. Nada a ver com o batalhão. Eu estava presente e vi a Polícia Militar toda empenhada junto com a gente”, afirmou.
Loja é arrombada e computador desaparece
Um novo episódio aumentou as suspeitas dos investigadores nesta segunda-feira (17). Após a Polícia Civil obter autorização para realizar buscas e apreender materiais no estabelecimento ligado a Fabiano, os agentes retornaram ao imóvel e encontraram o local arrombado e revirado.
O computador no qual haviam sido visualizadas as conversas com o policial militar não estava mais no estabelecimento.
“Viemos aqui fazer algumas apreensões, inclusive do computador, que a gente tinha visto algumas coisas interessantes. Ao chegar no local, encontramos a loja totalmente destruída e totalmente furtada, inclusive o computador”, relatou Bruno.
Loja de suspeito é encontrada revirada após ação da Polícia Civil. – Foto: Reprodução
A Polícia Civil agora tenta identificar quem entrou no imóvel e retirou os objetos. Segundo o delegado, também será investigado se o policial militar teve qualquer participação no arrombamento ou conhecimento prévio do que ocorreu.
“Agora vai ficar essa situação de entender quem veio aqui, por que ele não fez essa comunicação e qual é a relação dele com esse rapaz”, explicou.
O policial militar foi encaminhado à delegacia para ser ouvido sobre o caso.
Suspeito tem antecedentes
De acordo com Bruno Abreu, Fabiano possui cerca de dez registros policiais anteriores, incluindo ocorrências relacionadas a tráfico de drogas, roubo e furto. Testemunhas também teriam relatado à investigação que ele costumava andar armado.
Durante as diligências desta segunda-feira, um colete pertencente ao suspeito foi encontrado no estabelecimento, conforme o delegado.
Suspeito de feminicídio possui mais de 10 passagens pela polícia. – Foto: Reprodução
A Polícia Civil também apura informações sobre uma possível ligação de Fabiano com uma organização criminosa. Essa hipótese ainda está sob investigação e não foi confirmada.
Fabiano ainda não foi localizado. A investigação sobre a morte de Ana Cristina e as circunstâncias envolvendo o contato do policial militar com o suspeito continuam.
Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso informou que não procede a informação de que um policial foi detido por envolvimento na fuga do suspeito de um feminicídio ocorrido em Cuiabá, no sábado (15).
O militar prestou depoimento na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), expontaneamente, nesta segunda-feira (17), e contou que tentou contato com o criminoso para intermediar a prisão, contribuindo com mais informações sobre o suspeito.
A Polícia Militar informa ainda que trabalha na captura do foragido e que o caso segue em investigação pela Polícia Civil.
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A informação que circula é de que o reajuste deve alcançar remunerações de até R$ 4 mil, o que beneficiaria diretamente uma parcela significativa do funcionalismo.
e você conhece esse tipo de “parceiro”, cuidado: o aperto de mão pode vir com veneno. E aqui a gente avisa: a onça pode até ser parda, mas o rastro é preto no branco.
Ao que parece, a luz vermelha ainda não acendeu na sala da justiça. Se as conversas de bastidores se confirmarem nos próximos dias, o jogo muda. E talvez não dê mais tempo de apagar o incêndio.