O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso fez uma das críticas mais contundentes já direcionadas à gestão de Várzea Grande ao defender que o governo estadual intervenha no município. Ele afirmou que a cidade “não tem caminhos” e corre o risco de permanecer estagnada por mais dez anos.
Durante sessão do TCE, o conselheiro ressaltou que falava não só como gestor público, mas também como cidadão com vínculos afetivos com a cidade. Segundo ele, “sou várzea-grandense também, e eu falo como cidadão”. O presidente destacou um cenário de ruptura entre a prefeita, o vice-prefeito e a Câmara Municipal, classificando a situação como um “abismo” político.
Ele alertou que “já se formou um abismo entre a prefeita, a Câmara Municipal e o vice-prefeito”, o que impediria qualquer avanço administrativo. Ao comparar a situação com o desgaste histórico entre o ex-prefeito de Cuiabá e o governador Mauro Mendes, reforçou que “quem sofre é o povo”.
O conselheiro também detalhou os problemas estruturais que atingem a cidade, especialmente o colapso no abastecimento de água e o endividamento do Departamento de Água e Esgoto. Segundo ele, “não adianta fingir que não está vendo. Falta água a semana inteira”, além da dívida milionária em energia. Ele revelou que “hoje o DAE paga um milhão por mês de energia elétrica atrasada”.
Para o presidente do TCE, apenas uma ação direta do governo estadual seria capaz de reorganizar a administração e restabelecer serviços básicos essenciais. Ele afirmou que “o que Várzea Grande precisa é de uma intervenção do Estado”, nos mesmos moldes da intervenção feita na saúde de Cuiabá.
O Tribunal de Contas, segundo ele, está pronto para participar de uma solução. “Assim como atuamos na intervenção da saúde e contribuímos para resolver grandes problemas em Cuiabá, vamos fazer também em Várzea Grande”, reforçou.
Embora a fala não represente abertura imediata de processo, ela eleva o alerta em um momento crítico para o município, marcado pela ruptura entre prefeita e vice, paralisação de pautas na Câmara, crise financeira e operacional do DAE e desabastecimento constante de água que afeta diretamente a população.