Mato Grosso tem se consolidado como referência nacional em saúde indígena, impulsionado por iniciativas lideradas pela Assembleia Legislativa (ALMT). No Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, o estado se destaca por ser o primeiro do país a instituir uma Câmara Setorial Temática (CST) voltada exclusivamente à área.
Criada em 2025 por iniciativa do presidente da ALMT, deputado estadual Max Russi, a CST reúne instituições públicas, especialistas e representantes indígenas com o objetivo de discutir e implementar soluções para melhorar o atendimento e reduzir desigualdades.
“A saúde é um direito garantido pela Constituição, mas ainda há desigualdades. Nosso trabalho é garantir acesso e dignidade aos povos indígenas”, afirmou o parlamentar.
Com uma população estimada em cerca de 60 mil indígenas, Mato Grosso enfrenta desafios históricos, como dificuldades de transporte, acesso limitado a especialidades médicas e barreiras culturais e linguísticas no atendimento.
Para enfrentar esses entraves, a Câmara Temática tem realizado visitas técnicas aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), além de promover o levantamento de demandas estruturais e a integração entre órgãos federais, estaduais e municipais.
Em março de 2026, a ALMT promoveu um curso de capacitação com 35 profissionais de saúde, com foco na qualificação técnica e no atendimento à população indígena. Entre os temas abordados estiveram tratamento de feridas, responsabilidade técnica na enfermagem e legislação aplicada à área.
Outra frente é o Projeto Abril Indígena, que realiza arrecadação de roupas, brinquedos e materiais destinados à Casa de Saúde Indígena (Casai) de Cuiabá. A iniciativa também prevê melhorias estruturais, criação de espaços lúdicos para crianças e um ambiente mais humanizado para pacientes.
A CST ainda tem discutido o aumento de casos de ansiedade, depressão e suicídio entre jovens indígenas, reforçando a necessidade de políticas públicas com abordagem intercultural.
As ações envolvem parcerias com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Governo do Estado, universidades e prefeituras, formando uma rede de atuação conjunta.
“Não é apenas sobre medicina. É sobre dignidade, respeito à cultura e qualidade de vida”, destacou Max Russi.