Uma quadrilha instalada no Rio Grande do Sul usava perfis falsos e aplicativos de mensagens para extorquir moradores de Mato Grosso. O grupo foi alvo, nesta terça-feira (18), de uma operação da Polícia Civil mato-grossense que cumpriu 32 ordens judiciais em seis cidades gaúchas, incluindo Porto Alegre, com foco em desarticular a estrutura responsável por aplicar golpes que chegavam a exigir até R$ 100 mil das vítimas.
A ação, batizada de Operação Falso Contato, teve como alvos 16 suspeitos identificados ao longo de quase dois anos de apurações. Eles atuavam a partir de contas falsas em redes sociais e tinham vínculos diretos ou indiretos com a Penitenciária Estadual de Charqueadas. As buscas autorizadas pelo Judiciário abrangeram endereços residenciais e a coleta de aparelhos eletrônicos usados para coordenar o esquema.
Como funcionava o golpe
Os criminosos criavam perfis de supostas adolescentes em plataformas como o Instagram e iniciavam conversas com potenciais vítimas sob o pretexto de pedir orientações. Quando a interação migrava para o WhatsApp, bastava conseguir uma foto do rosto da pessoa abordada para montar vídeos ou imagens íntimas falsas.
Com o material adulterado, outro integrante entrava em cena se passando por policial ou parente da personagem fictícia. A partir daí, a vítima era acusada de troca de conteúdo com menor de idade e pressionada a pagar valores elevados para evitar exposição pública ou suposta prisão. Em alguns casos, ainda havia ameaça de envolvimento de facção criminosa para aumentar o clima de coerção.
Rede estruturada e atuação interestadual
A investigação da DRCI revelou que os 16 suspeitos funcionavam de forma articulada, dividindo tarefas entre criação de perfis, conversas iniciais, produção das montagens e contato extorsivo final. O grupo utilizava uma variedade de contas e e-mails para dificultar rastreamento, além de recorrer a aparelhos diferentes a cada etapa do golpe.
Os responsáveis pelo inquérito apontam que a operação só foi possível graças ao cruzamento de dados telemáticos e ao uso de ferramentas avançadas de análise digital, que permitiram reconstruir a rota das comunicações entre os envolvidos e conectá-los à penitenciária gaúcha.
A ofensiva policial
Além da equipe mato-grossense, a operação contou com apoio da Coordenadoria de Enfrentamento ao Crime Organizado (Cecor) e do Departamento de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Os mandados também incluem medidas de quebra de sigilo telefônico para aprofundar o mapeamento da atuação da quadrilha.
Impacto da ação
A Polícia Civil afirma que a operação reforça a capacidade do estado de reagir a golpes virtuais que ultrapassam fronteiras físicas. Para os investigadores, o caso demonstra que crimes cibernéticos podem ser rastreados mesmo quando praticados por detentos ou por meio de perfis falsos, e que o trabalho integrado entre unidades especializadas é fundamental para impedir a expansão desse tipo de fraude.
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