O “Manual de Caulim: guia de apoio para utilização no manejo do psilídeo”, publicado pela Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura), orienta produtores e técnicos sobre o uso correto de caulim como ferramenta complementar no controle do inseto transmissor de doença. A pesquisa aponta uma redução significativa de até 59% da população de psilídeo nos pomares de citros.
Os experimentos realizados em três propriedades em grandes áreas de 8 a 12 hectares, com duração de três a quatro anos, avaliaram o efeito da pulverização de caulim na população do psilídeo e incidência de greening.
O silicato de alumínio, também conhecido como caulim, é um mineral não tóxico de cor branca que, quando processado, é facilmente diluído em água, permitindo a pulverização em culturas agrícolas.
Segundo o guia, quando o caulim é pulverizado nas folhas dos citros, ele cria uma película branca que “engana” o inseto, dificultando a identificação da planta. Como o psilídeo usa a visão para encontrar plantas para se alimentar e se reproduzir, essa mudança na aparência interfere diretamente em seu comportamento.
“Ao modificar o aspecto da planta, o caulim confunde o inseto e compromete a seleção do hospedeiro, no caso as plantas cítricas. Assim, menos psilídeos pousam para se alimentar e reproduzir. Com isso, diminui a disseminação da bactéria causadora da doença”, explicou o coordenador da pesquisa, Marcelo Miranda.

O manual também traz instruções práticas sobre preparo, aplicação e uso do produto, além de boas práticas para integrar essa estratégia ao manejo da doença.
Modo de uso
A concentração de caulim varia conforme a recomendação do fabricante. Geralmente, é utilizada a concentração de 3% na pulverização inicial e de 2% nas aplicação de manutenção. O intervalo para a utilização dos produtos à base de caulins e afins deve ser menor ou igual a 14 dias. Em casos de tempo inferior a este, a concentração do produto pode ser dividida.

Caso haja outros produtos (inseticidas, acaricidas, fungicidas, etc…) no mesmo processo, o citricultor deve seguir a diluição dos produtos que precisam de mais tempo de agitação para os que diluem mais rápido.
Nos pomares jovens, mais suscetíveis ao vento, a pulverização unilateral e o uso de equipamentos como prolongadores ou arcos de pulverização são importantes para uma melhor cobertura foliar em toda a copa da planta. Devem ser evitadas aplicações em plantas molhadas, para que não ocorra o escorrimento do produto.
Principais resultados
Os principais resultados da pesquisa para o manejo do psilídeo e do greening mostraram que o psilídeo permanece menos tempo se alimentando no floema de plantas tratadas com caulim. E que a pulverização do caulim (Surround®) antes, após ou em mistura com inseticidas (bifentrina, imidacloprido ou dimetoato) não interferiu na eficácia desses inseticidas.

Em pomares experimentais usando psilídeos marcados e liberados perto de plantas com e sem caulim, menos insetos foram encontrados nas tratadas com o produto em relação às não tratadas.
Acesse o guia de apoio completo aqui.
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