O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), criticou a atuação de seguranças armados no Pronto-Socorro da cidade. Em discurso na tribuna, ele afirmou que os profissionais estariam desempenhando função de recepcionistas, o que configuraria desvio de função e poderia caracterizar crime de improbidade administrativa.
“Eu tive no Pronto-Socorro às 21 horas. Quando entrei no trauma, a segurança correu na minha frente para me barrar. Ali eu já dei um flagrante. Falei: a senhora está cometendo desvio de função. E desvio de função é um crime grave”, disse Cerqueira.
O parlamentar lembrou que já perdeu um mandato em processo envolvendo desvio de função, usando o exemplo para justificar sua cobrança. “Eu fiquei fora desta Casa por quatro anos por causa de um desvio de função. Um funcionário que era de gabinete ficou de guarda na antiga sede da Câmara. Então sei do que estou falando”, declarou.
Segundo Cerqueira, a função da segurança não pode ser confundida com atendimento ao público. “O segurança foi contratado para fazer segurança, não para recepcionar a população, o pai de família que chega com o filho desesperado ou a mãe infartada. Estão cometendo crime de improbidade administrativa. Se brincar, até criminal”, afirmou.
Apesar das críticas, o presidente disse que inicialmente dará um voto de confiança à gestão municipal. “Eu sou companheiro, eu aviso primeiro. Depois, se não houver providências, tomo as medidas necessárias. Eu já falei que não sou base de cabresto, o meu mandato quem manda é o povo de Várzea Grande, esse povo sofrido que eu defendo. Então aquele segurança está errado e estão cometendo crime de improbidade administrativa, assim como a prefeita Flávia Moretti, como a secretária de Saúde Deise Bocalon”, concluiu.
Em resposta, o líder da prefeita Flávia Moretti (PL) na Câmara, vereador Bruno Rios (PL), defendeu a presença dos guardas armados na unidade. “Acontece que quando nós vereadores vamos ao PS, acredito que a maioria não passa pela recepção, já vai direto à porta de acesso. Então a guarda que se faz ali presente é para controlar o acesso de pessoas e não para fazer recepção. É isso que tem que deixar claro”, explicou.
Rios ressaltou que a medida visa garantir a segurança no hospital. “Não sou contra os guardas armados, pois vivemos em um Estado de grande insegurança, com faccionados, pessoas sendo resgatadas em hospitais — isso é noticiado todos os dias na TV. Imaginem os senhores internados no PS e um faccionado sendo resgatado naquele momento. Precisamos nos atentar a isso ou vamos esperar acontecer uma situação mais drástica?”, defendeu.