Parece que os vereadores de Nobres estão dando um verdadeiro show de desorientação no legislativo local. Não basta o tradicional desempenho desastroso na tribuna, onde alguns falam por menos de um minuto, enquanto outros nem sequer sabem como usar os 10 minutos que têm direito. O que tem se destacado, além disso, são as famosas “colas” – e não estamos falando de cadernos de anotação, mas de roteiros decorados na hora da fala. De acordo com quem assiste à sessão, muitos parlamentares, na hora do “microfone aberto”, mais parecem alunos com dificuldades de aprendizado, que recorrem a colas para não passar vergonha.
A situação tem gerado piadas nas redes sociais, mas também muita preocupação. Um dos maiores espetáculos, aliás, tem sido o uso das redes sociais pelos vereadores. Não é mais necessário estar no plenário para mostrar serviço. O que se vê são vídeos com sonoras de discursos “mudos”, que muitas vezes mais parecem propaganda de escola de oratória do que um debate legítimo sobre os rumos do município. Muitos dos vereadores, é claro, publicam esses vídeos, apostando no estrelato digital, sem se importar com o que realmente acontece na prática legislativa. Em vez de ter um papel de destaque na Câmara, o destaque acaba vindo das postagens online, que, convenhamos, são copiadas umas das outras, mais parecendo uma reprodução do que propriamente uma criação original.
Mas não é só no universo virtual que os vereadores de Nobres estão demonstrando certo distanciamento da realidade legislativa. Dentro da Câmara, a situação também não é menos cômica. A prova disso foi o recente episódio de votação de um projeto enviado pelo executivo. Não, não estamos falando de um momento de grande debate ou reflexão. Nada disso! O que realmente chamou atenção foi o voto em si. Quando o presidente colocou o projeto em votação, os vereadores foram instruídos, quase como um pelotão, a se posicionar rapidamente e sem questionamentos. “Quem for contra, levanta”, anunciou o presidente. Em um piscar de olhos, todos os vereadores contrarios estavam “em posição de sentido” se levantaram como se estivessem seguindo ordens militares. Se a votação fosse de fato um treinamento de disciplina, seria mais fácil de entender, mas ali estava a política local sendo tratada como um jogo de interesses, onde o voto é decidido de acordo com quem “ajudou” o vereador a se eleger. Um verdadeiro desfile de “lealdades” e pouca transparência.
Esse “sistema mudo” de legislar, com vídeos e discursos sem conteúdo real, e votos manipulados com ares de treinamento militar, demonstra o quão distante muitos dos nossos representantes estão do verdadeiro espírito democrático. Quando se vê um vereador mais preocupado em criar uma imagem de “bom político” nas redes sociais do que em atuar de forma efetiva no plenário, fica claro que o trabalho legislativo está sendo transformado em espetáculo. Não à toa, muitos dizem que o Legislativo de Nobres virou a “melhor escola política”, onde os mais experientes, são os professores de quem está chegando agora. Talvez seja hora de repensar quem realmente está ensinando quem – e quem está aprendendo o quê.
Na próxima sessão, será que veremos mais vídeos mudos e discursos ensaiados ou os vereadores finalmente vão abrir a boca (de forma autêntica) para debater questões que realmente importam para a cidade? Fica a dúvida. Mas, por enquanto, o show continua – e não é no plenário.