O líder da prefeita na Câmara de Várzea Grande, vereador Bruno Rios, tentou descolar-se da polêmica envolvendo os uniformes escolares ao afirmar que não tinha conhecimento prévio da denúncia aceita pelo plenário. Segundo ele, o documento teria sido incluído na pauta apenas minutos antes da sessão. A justificativa, no entanto, contraria a realidade: a denúncia foi protocolada semanas antes e amplamente divulgada por diversos portais locais. O próprio presidente da Comissão de Educação já havia apontado publicamente o erro, mas Rios alegou desconhecimento, o que expôs seu evidente “descompasso” com o caso.
Durante a sessão, o vereador passou a responsabilizar a Mesa Diretora por não entregar com antecedência a cópia da denúncia aos parlamentares. Ele também insinuou que a direção da Casa estaria repassando informações à imprensa antes de disponibilizá-las aos vereadores. A narrativa, porém, não se sustenta: o documento já circulava publicamente e era tema de debates desde junho, demonstrando que o líder governista não buscou se inteirar do assunto.
Ao defender a gestão, Rios alegou que não houve dano ao erário, apesar da necessidade de refazer os uniformes após o erro. Ainda assim, as peças corrigidas continuaram exibindo o slogan da prefeitura, “Transparência, Trabalho e Progresso”, considerado irregular e motivador da investigação.
O vereador também minimizou a responsabilidade da prefeita e tentou transferir a culpa para terceiros, como o fiscal de contratos e a empresa fornecedora. Para os parlamentares, a postura evidenciou uma tentativa de suavizar o peso político da denúncia no momento em que a CPI inicia sua fase de apuração.
Mesmo com o caso amplamente difundido desde junho, Rios insistiu que o erro teria ocorrido “apenas agora” e que a prefeita não teve oportunidade de corrigi-lo — argumento contraditório, uma vez que a maior parte dos uniformes já havia sido distribuída com o slogan irregular.
A denúncia segue agora para análise da comissão responsável, que deverá emitir relatório para votação em plenário.
Reprodução: Jornal O Mato Gross