O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini criticou a aprovação pelos vereadores das contas do ex-prefeito Emanuel Pinheiro. Ele disse que a situação real da Saúde tem fatos que levariam a uma posição contrária à “proteção” concedida pelos vereadores.
“Uma gestão que deixou faltar remédios, profissionais [no Sistema Único de Saúde (SUS)], que encerrou o mandato sem pagar o salário dos servidores e deixou apenas dois meses de folha de pagamento, teve as contas aprovadas e recebeu a proteção [política] da maioria dos vereadores”, disse.
A crítica dupla ocorreu durante o discurso de posse nesta quarta-feira (1º), no plenário da Câmara.
Abilio associou o cenário negativo aos vereadores que nos últimos oito anos apoiaram a gestão de Emanuel Pinheiro. Ele sugeriu que a oposição ao seu recém-iniciado mandato é um novo elo ao histórico desses vereadores.
“Aos vereadores que se declararam da oposição, tudo bem; é uma escolha sua. Eu já passei pela Câmara de Cuiabá, passarei pela prefeitura e vocês passarão pelo cargo de vereador e todos vão passar. Mas cada pessoa que morre é algo marcado e a história vai cobrar e o cidadão não vai esquecer”, disse.
As contas de 2022 e 2023 de Emanuel Pinheiro foram aprovadas em sessão extraordinária na última semana do ano. A primeira contém a dívida de mais de R$ 1 bilhão na soma geral das contas. Mais de um terço do valor é da Secretaria de Saúde e da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP).
A aprovação das contas impede que Emanuel Pinheiro sofra punições políticas e administrativas com base na lei de improbidade. A mais severa seria a perda dos direitos políticos pelo período de 8 anos, o que deixaria Emanuel de fora das próximas eleições.
Abilio foi empossado em sessão subsequente à posse dos vereadores. Alguns deles fizeram questão de se declararem oposição à nova gestão. Quase todos eles se ausentaram da sessão de eleição da Mesa Diretora, ou optaram pela abstenção. Oito vereadores escolheram uma opção ou a outra. Sete eram da base de Emanuel Pinheiro.