O Cuiabá conseguiu uma decisão favorável na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão ligado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que estabeleceu o dia 3 de dezembro de 2026 como prazo final para o Corinthians quitar aproximadamente R$ 20 milhões em dívidas com credores. A determinação foi tomada na terça-feira (3) após uma manifestação do clube mato-grossense, principal credor do acordo coletivo, que pediu medidas mais rigorosas contra a equipe paulista.
O valor cobrado reúne cerca de R$ 16 milhões referentes a duas parcelas não pagas, com vencimentos em julho e outubro de 2026, além de aproximadamente R$ 4 milhões correspondentes à multa de 25% aplicada sobre o débito.
Caso não comprove a quitação até a data estabelecida, o Corinthians poderá ter o atual transfer ban ampliado até 16 de julho de 2027. Com isso, a punição iniciada em julho de 2026 chegaria a um ano de duração, acrescentando aproximadamente seis meses ao período de impedimento inicialmente previsto.
O pedido apresentado pelo Cuiabá à CNRD era ainda mais rigoroso. O clube mato-grossense solicitou o encerramento do acordo coletivo e uma punição de dois anos sem poder registrar novos atletas. O órgão, entretanto, acolheu parcialmente as reivindicações, estabelecendo um novo prazo para pagamento e prevendo o prolongamento da sanção em caso de descumprimento.
Além das consequências esportivas, a CNRD autorizou uma investigação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para apurar os atrasos recorrentes do Corinthians no cumprimento dos compromissos financeiros assumidos.
A cobrança do Cuiabá não é recente. Em setembro, a diretoria mato-grossense já havia acionado a CNRD solicitando novas medidas contra o Corinthians, entre elas a aplicação de multa e o bloqueio de receitas. Na ocasião, também tentou impedir que eventuais premiações do clube paulista fossem utilizadas antes da regularização dos débitos. O pedido foi negado porque não havia valores dessa natureza disponíveis.
A dívida envolve, entre outros compromissos, a negociação do volante Raniele, contratado pelo Corinthians junto ao Cuiabá em 2024. O presidente do Dourado, Cristiano Dresch, já havia manifestado publicamente sua insatisfação com os atrasos. Em agosto, ao comentar a possibilidade de renovação de Memphis Depay, o dirigente criticou a postura financeira do clube paulista diante dos compromissos pendentes.
Atualmente, o Corinthians já está impedido de registrar novos jogadores por determinação da CBF, após deixar de pagar a quinta parcela do plano coletivo, estimada em R$ 8 milhões.
Ao justificar as dificuldades financeiras, a diretoria alvinegra informou à CNRD que havia desembolsado aproximadamente R$ 170 milhões para quitar dívidas ao longo de 2026. Também apontou a redução das receitas durante a paralisação do calendário brasileiro em razão da Copa do Mundo, com impactos na arrecadação de bilheteria, patrocínios e mídia digital.
O Cuiabá, por sua vez, entende que os atrasos representam uma reincidência no descumprimento do acordo, e não uma dificuldade isolada. O clube mato-grossense questiona a tentativa do Corinthians de flexibilizar as sanções mesmo após admitir que não conseguiria cumprir os pagamentos nas datas previstas.
Homologado em abril de 2025, o plano coletivo foi criado para organizar o pagamento de dívidas acumuladas pelo Corinthians com clubes, jogadores, empresários e outros credores. O acordo prevê o pagamento de R$ 76 milhões, dividido em parcelas trimestrais ao longo de seis anos.
Pelas regras estabelecidas, 80% de cada parcela são destinados ao credor principal, enquanto os outros 20% são reservados aos honorários advocatícios.
Com o novo prazo, o Corinthians terá até 3 de dezembro para regularizar os valores cobrados. Caso contrário, poderá permanecer sem registrar reforços até julho de 2027, além de enfrentar os desdobramentos da investigação sobre seus atrasos financeiros.