O julgamento do policial civil Mário Wilson Vieira, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz, em uma conveniência em Cuiabá, em 2023, foi adiado para o dia 12 de maio de 2026, a pedido do Ministério Publico Estadual (MPE), após suspensão do júri, nesta terça-feira (16).
O julgamento começou nessa segunda-feira (15) e foi marcado por confusões. Ele deveria ser retomado nesta terça-feira (16), mas o Conselho de Sentença foi dissolvido, ou seja, encerrado prematuramente e anulado pela juíza titular da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Catarina Perri Siqueira.
A decisão foi tomada após conflitos registrados durante a sessão realizada ontem, quando acusação e defesa se desentenderam, exigindo a intervenção da magistrada e a suspensão dos trabalhos. A juíza Mônica Perri afirmou que os episódios poderiam influenciar o entendimento dos jurados, razão pela qual determinou a dissolução do Conselho de Sentença.
Durante a sessão, a magistrada também advertiu os advogados sobre a proibição de gravações, especialmente envolvendo os jurados, o que contribuiu para a anulação do julgamento. Ela reforçou a necessidade de urbanidade e respeito entre as partes para garantir a regularidade das sessões do Tribunal do Júri.
A confusão
Durante o debate, Mônica Perri reagiu às manifestações dos advogados e chegou a fazer comentários direcionados à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O momento gerou protestos imediatos da defesa, que alegou desrespeito às prerrogativas da advocacia.
Em meio à discussão, a juíza determinou que advogados fossem retirados do plenário. Um dos defensores classificou a decisão como excessiva e afirmou que a condução da sessão ultrapassava limites institucionais. A situação só foi controlada após a intervenção de um policial militar que atuava na segurança do local.
Segundo a magistrada, o clima de conflito durante a sessão poderia influenciar a decisão das pessoas responsáveis por analisar o caso. Ela também orientou que não fossem feitas gravações da audiência e pediu respeito entre as partes para garantir a condução dos trabalhos.
Acusação de misoginia
Durante a sessão do Tribunal do Júri, o Ministério Público pediu que fosse registrado em ata que um dos advogados de defesa teria adotado comportamento misógino e desrespeitoso contra a juíza presidente do julgamento. O pedido foi feito em plenário e consta no documento oficial da sessão.
Segundo a ata, o promotor de Justiça Rodrigo Ribeiro Domingues afirmou que a conduta do advogado ocorreu durante a oitiva das testemunhas. A magistrada, por sua vez, registrou que interveio para evitar perguntas consideradas indutivas e para manter a condução regular dos trabalhos, diante de sucessivos embates entre acusação e defesa.
Ainda conforme o registro, o clima de tensão se intensificou ao longo da audiência, com protestos dos advogados e questionamentos sobre a condução da sessão, o que acabou contribuindo para a interrupção dos trabalhos e a posterior decisão de redesignar o julgamento.
O julgamento

O julgamento é referente à morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, ocorrida em 27 de abril de 2023, dentro da loja de conveniência de um posto de combustíveis em frente à Praça 8 de Abril, em Cuiabá.
Thiago estava com um colega, que também é amigo de Mário, em outro posto e foram até a conveniência. Lá estavam em três, quando chegou Mário e um advogado, que estava com o suspeito.
Quando Thiago e o colega se apresentaram houve uma desavença. Mário teria dito à vítima: “você não é polícia bosta nenhuma”. O colega tentou tranquilizá-lo e disse “pra quê isso Mário, ele é papa mike”. Abaixo o vídeo do início da briga:
Conforme a denúncia do Ministério Público (MPMT), o investigador e a vítima se desentenderam após uma discussão relacionada à condição funcional de ambos. Durante a confusão, houve luta corporal e a vítima foi atingida por disparos de arma de fogo.
O policial civil responde por homicídio qualificado, com agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele responde ao processo em liberdade desde setembro de 2023.
Após as sucessivas remarcações e a renúncia da defesa anterior, Mario Wilson contratou o advogado Cláudio Dalledone Junior.
-
Policial que presenciou morte de PM detalha últimos momentos de vida do amigo
-
Júri de policial civil acusado de matar PM em MT terá advogado que atuou no caso Leandro Lo
-
Justiça adia júri popular de policial civil suspeito de matar PM em Cuiabá