O médico Euller Gustavo Presa publicou um vídeo no Instagram em que relata as circunstâncias da morte de Lourdes Maria, de 24 anos, durante uma cirurgia plástica realizada em 16 de outubro de 2026, no Hospital Geral, em Cuiabá. Segundo o cirurgião, a intercorrência ocorreu na fase final do procedimento, que incluía lipoescultura e colocação de próteses mamárias. A equipe tentou reanimar a paciente por mais de duas horas, mas ela não resistiu.
Lourdes era casada e mãe de duas crianças. Conforme informações divulgadas pela defesa do médico, a equipe identificou uma complicação súbita durante a operação, interrompeu o procedimento e iniciou as manobras de reanimação.
No vídeo, Presa afirma que a cirurgia já havia passado pelas etapas de lipoaspiração do abdômen e das laterais, colocação das próteses mamárias e lipoenxertia nos glúteos. A equipe realizava a parte final da lipoescultura nas costas quando a anestesista percebeu uma queda abrupta na saturação de oxigênio da paciente.
Segundo o médico, a anestesista interrompeu o procedimento e pediu que fossem verificadas as conexões dos equipamentos. Em seguida, solicitou que Lourdes fosse virada de barriga para cima para facilitar a ventilação. O cirurgião afirma que ajudou a reposicionar a paciente e iniciou as manobras de reanimação assim que foi informado de que ela havia sofrido uma parada.

Médico relata tentativas de reanimação
De acordo com o relato, mais de cinco médicos de diferentes especialidades participaram do atendimento dentro da sala cirúrgica, incluindo um profissional da área de cirurgia cardíaca. Presa afirma que a equipe realizou exames seriados e administrou medicamentos durante as tentativas de reanimação.
O cirurgião diz que Lourdes apresentou retorno dos sinais vitais em duas ocasiões, mas não resistiu após mais de duas horas de procedimentos. Ele classificou o episódio como uma fatalidade e afirmou que a morte foi a primeira desse tipo em sua carreira.
Ainda conforme o médico, ele não conseguiu comunicar pessoalmente a intercorrência aos familiares de imediato porque estava envolvido nas manobras de reanimação. Segundo sua versão, pediu que a família fosse avisada e que o marido da paciente comparecesse ao hospital. Quando ele chegou, Lourdes já havia morrido.

Corpo foi encaminhado para perícia
No pronunciamento, Presa afirma que o corpo da paciente foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exames que possam esclarecer a causa da morte. O médico diz aguardar o resultado do laudo pericial para entender o que provocou o óbito.
Ele também afirma que se colocou à disposição das autoridades e que seu advogado compareceu à delegacia para realizar os procedimentos necessários. Até o momento, a transcrição do vídeo não apresenta uma conclusão pericial sobre a causa da morte nem sobre a eventual ocorrência de erro médico.

Médico confirma que não possui RQE
Durante a gravação, Presa reconheceu que não possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE) e afirmou que não fez residência médica. Ele declarou ter realizado cursos de pós-graduação e sustentou que sua formação o habilita a realizar os procedimentos cirúrgicos que executa.
O médico informou ter se formado em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em 2004, e afirmou ser membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e do Colégio Brasileiro de Cirurgia Plástica. Também declarou ter realizado mais de 2 mil cirurgias ao longo da carreira.
Presa contestou qualquer relação entre a ausência do RQE e a morte da paciente. Ele afirmou que pretende demonstrar que não houve erro médico ou culpabilidade em sua atuação. Essas declarações representam a versão do profissional, e a causa do óbito ainda depende dos esclarecimentos periciais e da apuração das autoridades. Veja vídeo:
Cirurgião relata agressão e ameaças
O médico também comentou a repercussão do caso e afirmou ter sido agredido dentro do hospital após a morte de Lourdes. Ele ressaltou que, segundo sua versão, a agressão não foi praticada pelo marido nem pelo irmão da jovem.
Presa disse compreender a reação de pessoas próximas à paciente diante da perda e afirmou não guardar rancor. Segundo ele, depois do episódio, passou a receber ameaças por mensagens de WhatsApp e redes sociais, inclusive contra sua vida e a de familiares. O cirurgião declarou ter registrado um boletim de ocorrência sobre as ameaças.
Ao final do vídeo, o médico manifestou pesar pela morte de Lourdes e solidariedade aos familiares e amigos. Ele afirmou que deseja retomar o contato com a família para conversar e esclarecer os fatos, além de dizer que pretende continuar trabalhando.
A causa da morte e as circunstâncias da intercorrência ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação e pelos exames periciais.
-
“É a realização de um sonho”, disse jovem antes de entrar na sala de cirurgia em que morreu em Cuiabá
-
Polícia investiga se houve erro médico em morte de jovem durante cirurgia estética em Cuiabá
-
Mãe atravessa continente para velório da filha que morreu durante cirurgia plástica em Cuiabá
-
Eleitora morre na fila de votação após passar mal em Campo Grande