Apaixonado pela carreira militar desde a infância, Endrick havia comprado a passagem de volta antes de participar da operação.
O brasileiro Endrick Lima Gonçalves, de 22 anos, que morou em Cuiabá antes de viajar para a Ucrânia, morreu durante uma operação militar na guerra contra a Rússia. Natural de Tucuruí, no Pará, o jovem havia decidido encerrar sua participação no conflito e já tinha comprado uma passagem para retornar ao Brasil.
Em entrevista ao O LIVRE, familiares do jovem, que preferiram não se identificar, relataram que Endrick morreu após pisar em uma mina terrestre durante uma missão de resgate na linha de frente. A operação teria ocorrido no dia 30 de outubro.
Segundo a família, o jovem demonstrava interesse pela carreira militar desde a infância. Ao atingir a idade necessária, ingressou no serviço militar em Tucuruí, onde teve sua primeira experiência nas Forças Armadas brasileiras.
Após deixar o Exército, Endrick passou por diferentes cidades brasileiras, incluindo Cuiabá e Goiânia, onde trabalhou em empresas privadas. Apesar das oportunidades profissionais, manteve o desejo de seguir uma trajetória ligada à atividade militar.
Foi essa motivação, segundo os familiares, que o levou a viajar para a Ucrânia. A decisão foi tomada por iniciativa própria e comunicada à maior parte da família quando ele já estava embarcando.
“Ele sempre gostou da vida militar. O sonho dele era seguir carreira com isso”, contou um familiar.
A família também fez questão de esclarecer que a viagem não foi motivada por dificuldades financeiras, contrariando informações que, segundo os parentes, têm circulado nas redes sociais.
“Ele não foi por motivo financeiro, porque tinha uma condição financeira boa. Foi realmente pela paixão que sentia pela vida militar”, afirmou.
A última missão
Na Ucrânia, Endrick passou por treinamento militar e, conforme o relato familiar, atuou como instrutor de tiro, além de participar de diferentes operações.
Recentemente, havia comunicado sua intenção de deixar o batalhão e retornar ao Brasil. A passagem já estava comprada quando surgiu uma última convocação: participar de uma missão de resgate de soldados que, segundo as informações recebidas pela família, haviam sido capturados.
Endrick aceitou participar da operação.
De acordo com o relato dos parentes, o grupo foi atacado por um drone durante a missão. Alguns integrantes ficaram gravemente feridos e, na tentativa de deixar a área atingida, Endrick teria pisado em uma mina terrestre.
A explosão provocou sua morte.
Inicialmente, a família recebeu a informação de que o jovem estava desaparecido. Somente nos dias seguintes, após contatos com integrantes do batalhão, os parentes foram informados de que ele havia morrido.
Segundo o relato recebido pela família, Endrick foi o único integrante do grupo que não sobreviveu à operação.
Família busca respostas e informações sobre o corpo
Os familiares ainda tentam esclarecer as circunstâncias da morte e obter informações sobre os procedimentos necessários para a recuperação e eventual traslado do corpo ao Brasil.
A distância, a diferença de fuso horário e as dificuldades de comunicação com militares que permanecem na região de combate têm tornado o processo mais difícil.
A família também demonstra consternação pelo fato de a morte ter ocorrido justamente quando Endrick se preparava para deixar a guerra.
“Na mesma semana em que ele decide deixar o Exército, vai para uma missão e é a única baixa do pelotão”, lamentou um familiar.
Os parentes aguardam informações mais detalhadas das autoridades militares ucranianas. Até o momento, as circunstâncias específicas da operação foram relatadas pela família e não foram confirmadas de forma independente.