O futebol desperta paixões, movimenta torcidas e exige cada vez mais preparação física e desempenho dos atletas. Por trás dos treinos, das partidas e dos resultados, porém, existe um trabalho que nem sempre recebe a mesma visibilidade. É o cuidado com a saúde dos jogadores. Neste 18 de outubro, Dia do Médico, a atuação dos profissionais que trabalham diariamente nos clubes ganha destaque, especialmente na medicina esportiva, área que reúne prevenção, tratamento, conhecimento científico e decisões que podem impactar diretamente a carreira de um atleta.
No Cuiabá, o médico Caio Ramires acompanha de perto a rotina dos jogadores e a integração entre o departamento médico, a fisioterapia, a preparação física e a comissão técnica. Sua identificação com a área nasceu da relação pessoal com o futebol e se fortaleceu na experiência profissional dentro do clube.
AssCom Dourado
“O futebol sempre ocupou um lugar importante na minha vida, tanto como torcedor quanto como praticante. Ao ingressar nesse ambiente como médico, encontrei a oportunidade de unir essa paixão à minha vocação profissional”, explica Caio.
Entre as experiências que mais o marcaram está o acompanhamento da recuperação de um atleta das categorias de base após uma lesão de ligamento cruzado anterior e menisco. Além dos desafios clínicos, o médico testemunhou a determinação do jovem para voltar aos gramados, experiência que reforçou a importância do apoio profissional durante a reabilitação.
A rotina também exige firmeza diante das pressões competitivas. Para Caio, vetar um atleta de uma partida está entre as decisões mais difíceis, principalmente diante da vontade do jogador de entrar em campo. “Quando a avaliação médica indica que ele não tem condições de participar, preciso manter minha posição, mesmo diante da pressão”, afirma.
O médico também alerta para os riscos da concussão, que pode ocorrer mesmo sem perda de consciência. Dor de cabeça, tontura e desorientação são sinais que exigem atenção. Diante de uma suspeita, o atleta deve ser retirado de campo para avaliação médica.
No Mixto, o médico Alberto Mariano, especialista em joelho e medicina do esporte, construiu sua trajetória profissional também inspirado pelo pai, Luiz Alberto Mariano de Souza. A influência familiar faz parte de sua história e se soma à dedicação à medicina e ao cuidado com os atletas. No dia a dia do clube, Alberto enfrenta desafios que vão além do diagnóstico e do tratamento de lesões, especialmente quando precisa orientar um paciente a se afastar de uma atividade esportiva importante para sua vida.
Arquivo Pessoal
“Uma das decisões mais difíceis para um médico do esporte é precisar restringir um paciente de praticar a atividade física ou o esporte que ele ama por conta de uma lesão ou de alguma patologia”, explica Alberto.
Segundo ele, o esporte pode representar muito mais do que exercício físico, fazendo parte da identidade, da rotina e da qualidade de vida de uma pessoa. Por isso, o afastamento exige sensibilidade e diálogo. “Nosso compromisso é sempre com a saúde e o bem-estar dele”, ressalta. Sempre que possível, a busca é por alternativas que permitam ao paciente manter-se ativo, respeitando suas limitações e reduzindo os riscos.
A atuação preventiva também é fundamental na cardiologia esportiva. O médico Fábio Chauchar, especialista em cardiologia e formado pela Universidade de São Paulo (USP), reúne a experiência profissional à vivência pessoal no futebol, tendo sido jogador das categorias de base do Mixto.

“Eu percebi que gosto de medicina esportiva por duas razões, sempre fui atleta e fiz cardiologia do esporte”, conta. Para ele, ajudar o próximo é uma das principais motivações da profissão.
Fábio também procura combater o mito de que a musculação é perigosa depois dos 60 anos. Com orientação adequada e exercícios individualizados, o treinamento de força pode contribuir para a manutenção da massa muscular, da força e da autonomia, aspectos importantes para o envelhecimento saudável.
No futebol, o cardiologista ressalta que parte essencial do trabalho acontece longe dos olhos do público. “O público não vê nos bastidores é o médico utilizando recursos e dados científicos para beneficiar o atleta”, afirma.
Entre as decisões mais difíceis, ele cita a necessidade de recomendar que um jogador interrompa a atividade esportiva quando existe risco à vida.
As experiências dos médicos de Cuiabá e Mixto mostram que a medicina esportiva vai muito além do atendimento em campo. Exige conhecimento técnico, prevenção, diálogo e equilíbrio para conciliar o desejo de competir com os limites do organismo. Neste Dia do Médico, o trabalho desses profissionais reforça uma mensagem essencial. No esporte, o desempenho importa, mas a saúde precisa vir sempre em primeiro lugar.