Uma pesquisa sobre os altos índices de feminicídio em Mato Grosso foi apresentada em um dos maiores eventos acadêmicos da área da comunicação do mundo. A jornalista, professora e doutoranda da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Julia Munhoz, participou da edição de 2026 do congresso da International Association for Media and Communication Research (IAMCR), realizado em Galway, na Irlanda.
Esta é a terceira participação consecutiva da pesquisadora no congresso, que reúne estudiosos de diversos países para debater temas relacionados à mídia, cultura e política. Neste ano, Julia apresentou parte da tese de doutorado durante o painel “Gendered Lives: Violence and Resistance”.
A pesquisa analisa a relação entre a cultura machista, os partidos políticos e a atuação de figuras públicas, tendo Mato Grosso como recorte principal. O estudo investiga, especialmente, o avanço dos casos de feminicídio no estado e a influência de discursos e práticas considerados discriminatórios contra as mulheres.
Segundo a pesquisadora, o objetivo é demonstrar que esses episódios não podem ser tratados apenas como casos isolados, mas como fenômenos que refletem questões políticas, sociais e culturais mais amplas.
“Mato Grosso é um recorte importante porque evidencia as contradições entre desenvolvimento econômico e violência contra a mulher.”
Julia Munhoz, pesquisadora da UFMT
Os dados reunidos no estudo mostram que Mato Grosso registrou elevados índices de feminicídio nos últimos anos, chegando a ocupar a liderança nacional em determinados períodos, além de apresentar crescimento no número de casos.
A pesquisa também reúne referências da comunicação, da filosofia e da teoria feminista para discutir as desigualdades de gênero e a cultura política. Outro diferencial é a utilização do ensaio audiovisual científico como metodologia, integrando imagens, sons e narrativa acadêmica para ampliar o alcance da produção científica.

Além da apresentação do trabalho, Julia foi selecionada para um programa da própria IAMCR destinado a pesquisadores de diferentes países. Nesta edição, apenas 18 estudiosos foram contemplados pela iniciativa, que busca ampliar a participação de pesquisas desenvolvidas em contextos regionais no cenário acadêmico internacional.
O tema central do congresso deste ano abordou os desafios dos sistemas de mídia em um mundo cada vez mais polarizado e interconectado, discussão que dialoga diretamente com a pesquisa desenvolvida pela doutoranda.
De janeiro a junho de 2026, Mato Grosso registrou 25 casos de feminicídio. No ano passado, nesse mesmo período, foram 28, de acordo com informações do Observatório Caliandra, mantido pelo Ministério Público (MPMT) com informações da Polícia Civil.
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