Paulo Eduardo/PowerMix
Confresa/MT
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), a Operação Laços de Família para desarticular uma célula de facção criminosa suspeita de controlar o comércio de drogas na região de Confresa, a 1.160 km de Cuiabá. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso e também dentro de unidades prisionais.
As ordens judiciais foram cumpridas em Confresa, Vila Rica, Cuiabá e Nova Xavantina. A operação também resultou na prisão em flagrante de três pessoas por tráfico de drogas
Durante a ação, os policiais apreenderam porções de pasta base de cocaína, crack e maconha, além de sementes de cannabis, balanças de precisão e materiais utilizados para o fracionamento e a embalagem dos entorpecentes.
Também foram recolhidos 10 aparelhos celulares, cinco dispositivos de memória, uma motocicleta que seria utilizada no suporte às atividades criminosas e outros materiais que serão analisados durante a investigação.
Grupo era formado por familiares
Segundo a Polícia Civil, o nome da operação faz referência à forma de organização da célula investigada. Pessoas com vínculos familiares e conjugais fariam parte da estrutura criminosa, com funções distribuídas entre os integrantes.
A investigação aponta que o grupo contava com liderança, responsáveis pelo controle financeiro e pela distribuição das drogas, além de pessoas encarregadas da venda dos entorpecentes.
Os investigadores também identificaram um sistema de comercialização em que as drogas eram entregues aos revendedores em regime de consignação. Os integrantes precisavam prestar contas das vendas, enquanto os pagamentos eram realizados por meio de transferências eletrônicas.
De acordo com a apuração, a movimentação diária do grupo ultrapassava R$ 4,5 mil.
Para dificultar o trabalho das forças de segurança, os suspeitos utilizavam linguagem cifrada para se referir às drogas e apagavam constantemente as conversas mantidas por aplicativos de mensagens.
Cestas básicas e “tribunal do crime”
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais encontraram, em uma das residências, grande quantidade de alimentos, produtos de higiene e materiais de limpeza.
Conforme a investigação, os itens seriam compatíveis com cestas básicas supostamente distribuídas pela facção criminosa como estratégia de cooptação social. Os produtos, segundo a Polícia Civil, não tinham comprovação de origem fiscal.
Os investigadores também apontam que um imóvel era utilizado como base para reuniões e para a realização dos chamados “tribunais do crime”. Nesses encontros, seriam definidas punições contra integrantes que descumprissem regras impostas pela organização criminosa.
Crimes violentos registrados na região e que podem ter relação com essas decisões são investigados em procedimento separado pela Delegacia Municipal de Confresa.
Investigação começou após prisão em 2025
A apuração teve início em dezembro de 2025, após uma prisão em flagrante realizada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Confresa. Na ocasião, duas pessoas foram detidas com porções de crack e cocaína, além de vários aparelhos celulares.
Com autorização judicial, os investigadores analisaram o conteúdo dos dispositivos e identificaram que a ocorrência estaria ligada a uma estrutura criminosa maior.
A partir das informações obtidas, a Polícia Civil aprofundou as diligências e identificou a divisão de tarefas, o fluxo financeiro e a forma de distribuição dos entorpecentes.
Além dos mandados de prisão e busca e apreensão, a Justiça autorizou a quebra telemática de contas Google, números de WhatsApp e dados telefônicos junto às operadoras, além da extração forense dos aparelhos apreendidos.
A operação foi realizada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Confresa, com apoio das Delegacias Municipais de Confresa, Vila Rica e Porto Alegre do Norte.
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