Angélica Saraiva de Sá, conhecida como ‘Angeliquinha’ foi transferida de Mato Grosso do Sul para o sistema penitenciário de Mato Grosso nesta terça-feira (20). A faccionada estava detida na sede da Polícia Federal em Corumbá (MS) enquanto aguardava decisão judicial para recambiamento.
Agora, ela retornou para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, de onde fugiu em agosto do ano passado. Angélica só foi capturada no dia 22 de setembro deste ano, na Bolívia.
A logística de retirada, escolta, transporte e entrega da custodiada deve ser realizada por equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol) e apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
Foragida condenada a 260 anos
Foragida há mais de um ano e apontada pela Polícia Civil como uma das chefes de uma facção criminosa que atua no norte de Mato Grosso, Angélica Saraiva de Sá foi capturada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
A prisão ocorreu em uma ação conjunta entre as forças de segurança mato-grossenses e a polícia boliviana. Depois, ela aguardou decisão judicial em Mato Grosso do Sul para retornar a MT.

Segundo a Polícia Civil, Angélica acumula mais de 260 anos em condenações por diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa. Ela também tinha seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo de 2026.
As investigações apontam que ela exercia influência sobre atividades criminosas, principalmente em Alta Floresta e municípios da região, envolvendo tráfico de drogas, extorsões e atividades ilícitas em áreas de garimpo.
Lista dos mais procurados e mudança de aparência
Enquanto estava foragida, Angeliquinha entrou para a lista dos criminosos mais procurados do Brasil.
Nesse período, ela também passou por uma série de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos como implante de silicone nos seios, drenagem, preenchimento labial, alongamento do queixo e intervenções relacionadas à harmonização facial.
Conforme a polícia, Angeliquinha foi presa em um polo de cirurgias plásticas de baixo custo, passando por vários procedimentos estéticos durante o período em que esteve na Bolívia.

Apontada como líder do Comando Vermelho em Mato Grosso, ela fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, onde cumpria pena estipulada em quase 100 anos de prisão por crimes como assassinato e ocultação de cadáver.
Em 2022, a criminosa teria ordenado as mortes de quatro homens, que seriam integrantes de um grupo criminoso rival na região norte do estado. As vítimas foram:
- João Vitor da Silva, de 19 anos;
- Alan Rodrigues Pereira, de 36 anos;
- Caio Paulo da Silva, de 31 anos;
- Jefferson Vale Paulino, de 27 anos;

No dia do crime, os homens teriam ido até a casa de um dos rapazes para, supostamente, usarem drogas. Eles foram mantidos reféns e torturados até confessarem participação na facção rival, momento em que Angélica ordenou as mortes.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), outras 14 pessoas teriam envolvimento nos assassinatos das vítimas, que foram para a cidade a trabalho em pavimentações asfálticas.
Família alvo da polícia
Em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para desarticular o núcleo familiar ligado à investigada e suspeita de dar suporte às atividades criminosas e auxiliar na lavagem de dinheiro obtido pelo grupo criminoso.
Na época, a polícia apurou que o grupo familiar, incluindo o pai, filha e marido de Angélica, teria movimentado mais de R$ 20 milhões no período de 1 ano e sete meses.
Os suspeitos foram apontados como operadores financeiros do grupo criminoso, atuando na lavagem de dinheiro adquirido pelo tráfico de drogas.

Para lavar o dinheiro, os investigados usavam diversos mecanismos, como empresas de fachada nos ramos de calçado, beleza e roupas multimarcas, além de plataformas digitais e jogos de azar on-line.
O esquema também envolveria exploração de garimpo irregular na região de Alta Floresta (MT). Sob o comando direto da filha, o pai líder da facção faria a gerência do garimpo e de um bar – que também funcionada como casa de prostituição – próximo de Nova Bandeirantes (MT).
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