Os vereadores de Cuiabá vão escolher no dia 1º de janeiro de 2025 a nova Mesa Diretora, que comandará a Câmara pelos dois anos seguintes. A votação deverá ocorrer logo após a cerimônia de posse prevista para as 9h.
Mas a sessão poderá se prolongar mais que o esperado, por um provável segundo turno da votação para a Mesa. O quadro atual tem dois nomes mais fortes, um de apoiadores do atual prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) e outro formado pelos vereadores da oposição ao atual prefeito e os novos eleitos que são apoiadores de Abilio Brunini (PL).
O primeiro grupo é encabeçado pelo vereador pastor Jefferson (PSD) e o segundo pela vereadora eleita Paula Calil (PL). Cada candidato calcula ter entre 10 e 13 votos. A conta varia a cada semana. Essa disputa abriu espaço um grupo com vereadores que ainda não optaram nem por um, nem por outro lado.
Os indecisos se autodenominam de G5, pois apareceu com cinco vereadores, mas nas últimas semanas passou para G6 e já se cogita até um G8. Ele tem crescido na proporção da divergência dentro dos dois grupos com candidato. E já tem também um provável candidato para os representar, o atual presidente Câmara, Chico 2000 (PL), que tem dito se sentir excluído do próprio partido.
Regras para o segundo turno
A hipótese de segundo turno surgiu do cenário atual. Apesar de incomum, o regimento interno da Câmara de Cuiabá tem regras para essa ocasião.
A resolução nº 8 de 2016 diz que o segundo turno para Mesa Diretora será realizado se nenhuma das chapas concorrentes obtiver a maioria dos votos. Para a próxima legislatura, são necessários 14 votos. É a maioria mínima dos 27 vereadores que vão exercer mandato a partir do ano que vem.
No primeiro turno podem concorrer as chapas que estiverem formalmente registradas na concorrência e as duas mais votadas passam para o segundo turno, assim como acontece na eleição para prefeito. Segundo a resolução, a nova votação deverá ser imediata.
“Se nenhuma chapa obtiver maioria dos votos, proceder-se-á imediatamente nova votação nominal, concorrendo somente as duas mais votadas, considerando-se vencedora a que alcançar o maior número de votos e, no caso de persistência no empate, dar-se-á como vencedora a chapa que possuir o candidato à presidente mais idoso”, diz o parágrafo 3º do artigo 22 da resolução.
Reflexo
Politicamente, a situação não é agradável para o prefeito eleito Abilio Brunini. Seu grupo político poderá vencer com uma margem mínima de votos, o que poderá representar uma oposição mais forte.
Se for derrotado, ele terá de se esforçar para articular com grupo de tamanho semelhante e com a desvantagem de não ter o comando da Câmara do seu lado.
A terceira opção, que no momento parece menos provável, seria de um grupo misto de apoiadores e oposicionistas liderados por um membro do partido dele que mostra insatisfação com o tratamento que tem recebido.