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Saúde mental avança no debate, mas números expõem crise entre profissionais da saúde e da segurança em MT | Power Mix

Wesley Moreno/Power Mix

Nova Mutum/MT

A discussão sobre saúde mental deixou de ser pauta sazonal para se tornar uma emergência silenciosa. O debate ganha ainda mais peso diante de casos trágicos recentes, como o do psicólogo Manoel Neto, que evidenciou não apenas o sofrimento emocional extremo, mas também o impacto devastador do racismo estrutural e da desumanização no ambiente profissional.

Leia mais: Psicólogo tira a própria vida após publicar carta aberta denunciando racismo

No Brasil, os números são alarmantes. Em 2025, mais de 546 mil afastamentos do trabalho ocorreram por transtornos mentais, aumento de 15% em relação ao ano anterior. Ansiedade e depressão já figuram entre as principais causas de licença médica. Entre médicos, cerca de 10% relatam ideação suicida, índice que chega a ser o dobro da população geral. Médicas apresentam risco 47% maior.

Em uma década, as mortes por suicídio no país cresceram 43%, passando de 9.454 casos, em 2010, para 15.507 em 2021. Jovens e profissionais submetidos a alta pressão estão entre os mais vulneráveis.

Segurança pública: pressão constante

Entre policiais, a sobrecarga emocional também preocupa. Embora alguns estados registrem redução nos casos, a categoria segue exposta a fatores como jornadas extensas, risco permanente e estigmatização do sofrimento psíquico.

Em Mato Grosso, houve queda de 60% nas mortes por suicídio entre policiais de 2023 para 2024, segundo dados institucionais. Ainda assim, especialistas apontam que a prevenção precisa ser contínua e estruturada.

Mato Grosso amplia programas

O governo estadual tem investido em iniciativas voltadas a servidores públicos. O Programa de Atenção à Saúde Mental da Seplag-MT oferece atendimento psicológico e psiquiátrico por telemedicina, com protocolos específicos para depressão, ansiedade, burnout e assédio. Somente em 2025, foram mais de 8,5 mil atendimentos online.

A MT Saúde mantém credenciamento de mais de 40 profissionais entre psicólogos e psiquiatras, além de atendimento hospitalar 24 horas. Já a Secretaria de Segurança Pública promove palestras permanentes, escuta qualificada e ações educativas.

A Polícia Militar desenvolve projetos complementares, como programas terapêuticos e atividades de integração. Nacionalmente, propostas como o Projeto de Lei 4534/24, que prevê a criação de um Programa Nacional de Saúde Mental para Profissionais de Segurança Pública, podem ampliar o suporte institucional caso aprovadas.

Formação e rede de cuidado

O Ministério da Saúde lançou o projeto “Nós na Rede”, voltado à qualificação de 42 mil trabalhadores da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), com foco no autocuidado dos profissionais do SUS. A Escola de Saúde Pública de Mato Grosso também promove formação crítica sobre a organização da rede estadual.

Nos municípios, o acesso ocorre principalmente por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem acompanhamento multiprofissional contínuo pelo SUS.

O desafio além das campanhas

Especialistas alertam que campanhas como o Janeiro Branco são importantes para conscientização, mas insuficientes isoladamente. O enfrentamento exige políticas permanentes: avaliação periódica de saúde mental, redução de jornadas exaustivas, combate ao assédio e suporte específico a grupos vulneráveis.

No âmbito individual e comunitário, medidas como rodas de conversa no ambiente de trabalho, incentivo ao autocuidado, prática regular de exercícios, sono adequado e busca precoce por ajuda podem fazer diferença significativa.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) mantém atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.

A crise da saúde mental, especialmente entre quem cuida e protege a sociedade, exige compromisso contínuo. O silêncio institucional e social custa vidas. O enfrentamento, por outro lado, pode salvá-las.

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