O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, fez uma série de declarações relevantes em enmtrevista, sobre temas estruturais que impactam diretamente o desenvolvimento do estado. Em falas recentes, ele criticou a concessionária de energia Energisa, confirmou a construção de um túnel no Portão do Inferno como solução definitiva para o trecho da MT-251, e comentou a iminente venda do imóvel da Santa Casa de Cuiabá, que, segundo ele, deverá ocorrer por valor muito abaixo do inicialmente proposto.
Sérgio Ricardo foi categórico ao afirmar que o fornecimento de energia elétrica em Mato Grosso é uma das principais barreiras para o desenvolvimento econômico, especialmente na área industrial.
“A Energisa não cumpre o contrato de concessão. São 30 anos sem respeitar os compromissos assumidos. A energia é de péssima qualidade, inclusive no distrito industrial da capital”, criticou o conselheiro.
Ele também apontou que a falta de energia trifásica em dezenas de municípios inviabiliza a instalação de indústrias, perpetuando a concentração de renda e a pobreza.
“Mato Grosso é um estado rico, mas cada vez mais pobre. Temos 3,8 milhões de habitantes, sendo 1 milhão no Bolsa Família. Isso não é pleno emprego, é pleno desemprego”, declarou.
Sérgio defendeu a revisão da concessão da Energisa, enfatizando que a má qualidade do serviço impede que o estado alcance todo seu potencial produtivo e social.
Sobre a obra no trecho conhecido como Portão do Inferno, na MT-251, que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães, o conselheiro confirmou que a solução será mesmo a construção de um túnel, descartando a derrubada da encosta ou outras alternativas provisórias.
“Está decidido. Vai ser túnel. Não vai precisar derrubar o barranco que é alvo de tantos protestos. Será uma obra segura, feita a cerca de 100 metros do pontilhão atual”, garantiu.
O projeto visa eliminar de forma definitiva os riscos de deslizamentos e os bloqueios frequentes na via, e será acompanhado tecnicamente pelo Tribunal de Contas.
Ainda na entrevista, teve outro tema abordado por Sérgio Ricardo foi a situação da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, atualmente em leilão conduzido pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), com lance inicial de R$ 70 milhões.
Para ele, o valor é irreal diante das condições atuais do imóvel e da localização. Segundo o conselheiro, a instituição deve ser vendida por algo entre R$ 20 e 25 milhões, e a compra deve ser feita pelo governo do Estado ou pela Prefeitura de Cuiabá.
“Eu disse desde o início: não vai aparecer ninguém na primeira, nem na segunda tentativa. A Santa Casa não vale R$ 70 milhões. Está em uma região desvalorizada e só funcionará como hospital”, disse.
Ele ainda alertou que, mesmo com a venda, os cerca de R$ 300 milhões em dívidas trabalhistas não serão quitados apenas com o valor arrecadado, exigindo uma renegociação.
“Mas uma coisa é certa: ninguém quer fechar a Santa Casa. Ela vai continuar funcionando”, finalizou.