Durante o período de mais de um ano em que permaneceu foragida na Bolívia, Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, passou por uma série de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos. Entre os procedimentos realizados estão implante de silicone nos seios, drenagem, preenchimento labial, alongamento do queixo e intervenções relacionadas à harmonização facial.
Angeliquinha foi capturada nessa terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, após uma ação conjunta das forças de segurança de Mato Grosso e da polícia boliviana. Ela estava foragida desde agosto de 2025, quando escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Segundo a Polícia Civil, Angeliquinha foi presa em um polo de cirurgias plásticas de baixo custo, passando por vários procedimentos estéticos durante o período em que esteve na Bolívia.
Família foi alvo de operação
Em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown, que investigou um núcleo familiar apontado como responsável por dar suporte às atividades atribuídas à facção e auxiliar na lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram determinadas 31 medidas judiciais, incluindo quatro mandados de prisão e sete de busca e apreensão, além do sequestro de seis veículos e quatro imóveis, bloqueio de sete contas bancárias e suspensão das atividades de três pessoas jurídicas.
Entre os alvos estavam o pai, a filha e o genro de Angélica. Conforme a investigação, familiares teriam atuado na movimentação de recursos provenientes das atividades criminosas.

A Polícia Civil identificou a movimentação de mais de R$ 20 milhões em cerca de um ano e sete meses. Os valores, segundo a investigação, eram incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Empresas e outros negócios teriam sido usados para dar aparência de legalidade ao dinheiro. O grupo também é investigado por envolvimento com garimpo irregular nas regiões de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.
Mais de 260 anos em condenações
Angeliquinha é apontada pela Polícia Civil como uma das chefes de uma facção criminosa com atuação no norte de Mato Grosso, principalmente em Alta Floresta e municípios da região.
Ela acumula mais de 260 anos em condenações por crimes como homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa e tinha seis mandados de prisão em aberto. A fuga ocorreu em 17 de agosto de 2025. Desde então, investigações apontavam que Angeliquinha havia deixado Mato Grosso em direção à Bolívia.
Após a captura, as autoridades bolivianas devem concluir os procedimentos legais para que ela seja entregue às autoridades brasileiras e trazida de volta a Mato Grosso.
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