A baixa execução orçamentária da Prefeitura de Várzea Grande voltou ao centro das discussões durante a sessão da Câmara Municipal realizada nesta terça-feira (9). O presidente da Casa, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), afirmou que, embora a Secretaria de Obras tenha orçamento de R$ 238,8 milhões para 2025, apenas R$ 33,8 milhões foram efetivamente aplicados até agora. A situação, segundo ele, compromete a manutenção da cidade e paralisa obras importantes.
“Como que vai trabalhar sem recurso? O secretário de Obras tem R$ 238 milhões e só gastou R$ 33 milhões. Não tem como tapar buraco com cuspe, a massa asfáltica é cara. Um caminhão custa quase R$ 20 mil”, disparou Wanderley. O parlamentar isentou o secretário Celso Luiz de responsabilidade e atribuiu a culpa à prefeita Flávia Moretti (PL), acusando-a de não garantir os investimentos necessários.
Wanderley citou ainda o caso das obras no bairro Paiaguás, que, segundo ele, só estão em andamento graças a recursos obtidos por sua articulação junto ao governador Mauro Mendes (União), ao vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e ao deputado Eduardo Botelho (União). “O dinheiro da obra está parado aqui porque a prefeita até hoje não colocou R$ 1. Está sendo tocado com recurso que eu corri atrás”, afirmou.
A crítica também se estendeu à Secretaria de Serviços Públicos, que teve execução orçamentária bem superior: dos R$ 130,4 milhões previstos, R$ 83,7 milhões já foram utilizados. O vereador questionou os valores pagos à empresa Locar, responsável pela coleta de lixo no município, e apontou supostas irregularidades. “Curitiba, que é a cidade que mais recolhe lixo no Brasil, chega a 80%. E Várzea Grande teria notas de 100%. Isso não existe”, acusou.
O vereador Adilsinho (Republicanos) endossou a crítica e informou que protocolou um requerimento solicitando todos os valores pagos à Locar. “A gente vai fazer um estudo desses números para ver a coerência dessa situação”, declarou.
Já o vereador Rogerinho Dakar (PSDB) sugeriu a convocação do secretário de Obras para prestar esclarecimentos. Ele cobrou explicações sobre a adesão a atas de registro de preços durante o estado de emergência decretado pela Prefeitura, em vez da realização de novas licitações. “Precisamos saber se a dificuldade é falta de repasse da prefeita, se é problema da empresa ou de licitação. Até agora não chegou a esta Casa a relação das atas de adesão feitas durante o estado de emergência”, apontou.
Ao fim da sessão, os parlamentares ressaltaram que não têm intenção de responsabilizar apenas os secretários, mas exigem transparência da prefeita quanto à aplicação dos recursos. Wanderley reforçou que continuará apresentando dados em tribuna. “Eu tenho compromisso com o povo humilde e carente da Várzea Grande. Não adianta querer jogar culpa em cima de secretário sem recurso. O problema está na falta de investimento da Prefeitura”, concluiu.
*Sob supervisão de Eder Pereira